Em 2005 foi criado no Brasil o Programa Nacional do Microcrédito Produtivo e Orientado, baseado nas experiências das cooperativas de crédito de Bangladesh, criadas por iniciativa do Professor Muhammad Yunus, que começou em 1976 a fazer experiências com o fornecimento de pequenos empréstimos para os pobres, sem as garantias e exigências tradicionais dos bancos comerciais.

O ponto de partida aconteceu na vila de Jobra, em Bangladesh, com o empréstimo de 27 dólares para 42 mulheres que viviam abaixo da linha da pobreza, presas a agiotas locais. Com o empréstimo realizado, elas puderam pagar suas dívidas e começar pequenos negócios. A iniciativa de Yunus teve um grande efeito, pois os empréstimos, além de serem pagos, geraram novos empréstimos, também conhecidos como microcréditos rotativos.

Movido pelo sucesso alcançado e percebendo o impacto gerado com uma pequena quantidade de dinheiro, Yunus fundou em 1983 o Grameen Bank, com o objetivo único de fornecer empréstimos aos pobres, principalmente mulheres da zona rural de Bangladesh. Desde então, o microcrédito se tornou uma excelente ferramenta no combate ao desemprego e à pobreza. A ideia do microcrédito se alastrou principalmente nos países em fase de desenvolvimento.

Desta forma o microcrédito tornou-se uma ferramenta de inclusão social, incentivando o investimento e o surgimento de pequenos negócios. Há que se destacar a grande oportunidade que se oferece na sua utilização como interface ao programa Bolsa Família, incentivando a qualificação para o micro empreendedorismo, através do cadastro do programa.

A respeito da necessidade crescente na oferta do microcrédito produtivo e orientado, é visível a falta de ação instrutiva na base da pirâmide e nota-se falta de conhecimento sobre o assunto, inclusive, desconhecimento da metodologia, baseada na fiança solidária, tanto por parte do público formador de opinião quanto dos gestores públicos.

Trato deste assunto com a consciência de quem atuou por três anos como presidente do banco de microcrédito da Prefeitura de São Paulo, implantando inovações na área pedagógica e na área digital, recebendo na época o prêmio de personalidade financeira.

*Hugo Duarte é professor e secretário-geral do Republicanos Capital SP

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